DIA MUNDIAL DA ÁGUA
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Hoje vamos comemorar o DIA MUNDIAL DA ÁGUA. Essa data foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 para alertar as pessoas sobre o cuidado que todos devem ter com a água do planeta.
Vou começar a nossa conversa com uma crônica escrita por nossa querida Cecília Meireles :
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CONVERSA COM AS ÁGUAS
Na verdade, eu ia conversar com a estátua que fica no meio da praça, alta e solene, toda cercada de símbolos. Àquela hora da tarde as crianças voltavam das escolas próximas; crianças do curso primário e do secundário: cachos negros, tranças louras, uma grande festa de risos vermelhos e róseos, beirando os gramados e subindo musicalmente para as nuvens, entre as montanhas e o mar.
Certamente, a estátua teria coisas interessantes a dizer-me, sempre ali parada, vendo deslizar todos os dias à mesma hora tanta criatura engraçada cheia de ciência nos livros e de alegria no rosto – pois eu, só meia hora num banco, já sentia um tumulto imenso de idéias dentro de mim. E isto sem falar que os olhos das estátuas são olhos eternos, e vêem, com seu olhar imóvel, todas as coisas que se agitam na nossa mobilidade triste de prisioneiros da vida misteriosa.
A minha dificuldade na conversa decorreu simplesmente da diferença de nível: a estátua se alcandorava num pedestal majestoso, e eu, bicho humilde e mortal, apenas avultava entre as folhas e as flores. Minha voz, esta que uso todos os dias sem alto-falante, não poderia chegar tão longe. E, além disso, as estátuas têm ouvidos de bronze.
Mas, quando se tem vontade de conversar, qualquer interlocutor pode servir. E, quando abaixei meus olhos melancólicos, encontrei as águas, que são o contrário das estátuas, por fluidas e transparentes, e cuja eternidade não é a do estacionamento, mas a da sucessão. As águas são mais falantes que as estátuas: estão sempre murmurando, cantando,sorrindo,chorando. E, se não observam durante muito tempo – por sua natureza andarilha-, observam muitas coisas, porque atravessam o mundo das nuvens à terra e de um a outro oceano. E com as águas comecei a falar ...”
(Cecília Meireles.Coleção Melhores Crônicas – Editora Global, pg.110 )
Fico imaginando se no dia de hoje você também tivesse uma conversa com as águas. Tenho certeza que seria uma longa conversa, pois toda água tem sempre muita história para contar. Ela falaria dos lagos, rios, mares e oceanos, da sua preocupação com o desperdício, com a falta de saneamento básico, com a poluição, com os lugares que já estão virando deserto por causa da falta de água.
Se você tivesse uma conversa com as águas saberia que você tem direito ao saneamento básico
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Se você tivesse uma conversa com as águas passaria a cuidar melhor dos lagos rios e mares
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Se você tivesse uma conversa com as águas economizaria cada vez mais esse bem tão precioso
Algumas dicas:
Não deixe a torneira aberta enquanto você escova os dentes
Tome o seu banho bem rapidinho.
Na hora de lavar a louça não deixe a torneira aberta enquanto ensaboa, aproveite para enxaguar toda a louça de uma só vez.
Na hora de lavar o carro, não use mangueira, use o balde
Não use mangueira para lavar a calçada, mangueira não é vassoura
Se você tivesse uma conversa com as águas, lutaria pelos seus direitos , cumpriria os seus deveres e poderia comemorar o DIA MUNDIAL DA ÁGUA como verdadeiro cidadão .
Declaração Universal dos Direitos da Água:
Art. 1º - A água faz parte do patrimônio do planeta.Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos.
Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta.Ela é a condição essencial de vida de todo ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal qual é estipulado do Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem.
Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser manipulada com racionalidade, precaução e parcimônia.
Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionando normalmente para garantir a continuidade da vida sobre a Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam.
Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores. Sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras.
Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo.
Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De maneira geral, sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis.
Art. 8º - A utilização da água implica no respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado.
Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social.
Art. 10º - O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
Escrito por Leonor Cordeiro às 16h24
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